
O julgamento do senador Jorge Seif do PL no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) transforma esta terça-feira (10) em um daqueles dias em que Brasília olha para Santa Catarina com lupa, e os bastidores fervem em versões conflitantes. Não há hoje quem crave um desfecho. Há convicções espalhadas de lado a lado e nenhuma delas parece suficientemente sólida para encerrar o debate antes do voto final.
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Seif chega a esse momento se aproximando da metade de um mandato de oito anos e enfrentando um processo que carrega peso político e jurídico. A acusação de abuso de poder econômico nas eleições de 2022 sustenta a tese de que o resultado das urnas teria sido contaminado por práticas irregulares. A defesa aposta na fragilidade dessa narrativa e trabalha com a expectativa de manutenção do mandato.
Nos corredores da política catarinense o clima é de divisão clara. Há quem acredite que a cassação é apenas uma questão de horas. Outros sustentam que o Tribunal não encontrará base suficiente para afastar um senador eleito. Esse racha de percepções revela menos sobre o processo em si e mais sobre o ambiente de incerteza que cerca decisões desse tipo no TSE.
Entre os interessados diretos no desfecho está o ex governador Raimundo Colombo, que disputou o Senado em 2022 e figura como principal beneficiário político em caso de derrota de Seif. Ainda assim, mesmo entre aliados de Colombo, cresce a avaliação de que uma eventual cassação não resultaria em posse imediata do ex governador, mas sim na convocação de uma eleição suplementar para o Senado em Santa Catarina.
O julgamento no TSE está previsto para o início da noite e não decidirá apenas o futuro de um mandato. Ele pode redesenhar alianças, reorganizar estratégias para 2026 e recolocar o eleitor catarinense no centro de uma disputa nacional. Seja qual for o resultado, o dia termina com uma certeza. Santa Catarina volta a ser protagonista de um dos capítulos mais sensíveis da política brasileira.


