
A renúncia de Paulo Prisco Paraíso à presidência do Conselho de Administração da SAF do Figueirense é, na prática, consequência direta de um processo que já havia sido decidido duas semanas antes. Quando o Conselho Deliberativo do clube optou por não homologar a mesa diretora da SAF, em reunião realizada no Estádio Orlando Scarpelli, o caminho político já estava traçado. A saída formalizada agora apenas confirma um desfecho que já estava colocado no tabuleiro institucional do clube.
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A tentativa de transformar a renúncia em um gesto solene ou voluntário pouco altera o cenário. A realidade é que o modelo de gestão que conduziu a SAF nos últimos anos perdeu sustentação dentro do próprio clube e entre os torcedores. A decisão do Conselho Deliberativo mostrou que havia um esgotamento político evidente. O vídeo divulgado por Prisco, com a leitura de sua carta de renúncia e a defesa de sua trajetória, surge mais como uma resposta pública à crise do que como um movimento que realmente mudasse o rumo dos acontecimentos.
Durante cerca de seis anos, o grupo liderado por Prisco conduziu o processo da SAF em um período extremamente delicado da história do Figueirense. Houve o discurso constante da reorganização financeira e da renegociação de dívidas históricas do clube. No entanto, o tempo passou e o projeto não conseguiu entregar aquilo que mais importa no futebol: estabilidade institucional, investimentos estruturais e, principalmente, resultados esportivos que recolocassem o Figueirense em um caminho de crescimento.

O saldo desse período acaba sendo marcado por um sentimento de tempo perdido. O clube permanece distante das divisões principais do futebol brasileiro e se prepara para disputar, no dia 6 de abril, a sexta Série C consecutiva, algo impensável para um clube de sua tradição. A crise institucional também se aprofundou, culminando em protestos de torcedores e em um ambiente de forte desgaste interno.
Agora, o foco se desloca para o futuro. Caberá ao presidente da associação e ao presidente do Conselho Deliberativo indicar novos nomes para recompor o Conselho de Administração da SAF. Além disso, duas propostas para aquisição da sociedade estão sobre a mesa, incluindo a apresentada pelo empresário Edison da Silva e seu grupo. O momento exige decisões rápidas e estratégicas. O Figueirense precisa encontrar um rumo com urgência, institucional, financeiro e esportivo, para voltar a pensar grande.
A saída de Prisco, portanto, tem menos peso pelo gesto em si e mais pelo espaço que abre para uma nova etapa. O clube precisa virar a página, reconstruir sua governança e buscar investidores capazes de recolocar o Figueirense em um caminho de recuperação. Mais do que discursos ou justificativas, o que o torcedor espera agora são ações concretas.
Pontos abordados no vídeo da renúncia:
- Nunca utilizou o Figueirense para benefício pessoal ou familiar.
- Não recebeu pagamento por refeições, viagens ou hospedagens do clube.
- Trabalho teve como foco reestruturar e renegociar a grande dívida do Figueirense.
- Sustenta que a dívida não foi criada pela gestão atual da SAF.
- Lamenta que a saída aconteça em meio à crise institucional.
- Atuação motivada por dedicação e amor ao clube.

