Análise: Figueirense disputará quadrangular da morte e fantasma do rebaixamento volta a rondar o Scarpelli

O Figueirense chega ao quadrangular da morte do Catarinense como símbolo de um projeto mal conduzido, que falhou em leitura, estratégia e comando
Por: Carlos Alberto Ferreira
em 26/01/2026 às 11:15 - Atualizado há 1 minuto.
Empate melancólico contra o Camboriú frustrou o alvinegro Foto: Patrick Floriani/FFC

A temporada que prometia reconstrução e esperança terminou em frustração profunda. O Figueirense chega ao quadrangular da morte do Campeonato Catarinense como símbolo de um projeto mal conduzido, que falhou em leitura, estratégia e comando. A nação alvinegra, que esperava um ano de afirmação e possibilidades, vê novamente o fantasma do rebaixamento rondar o Estádio Orlando Scarpelli, despertando lembranças dolorosas de 1986, um dos capítulos mais sombrios da história do clube.

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O cenário é grave: apenas uma das quatro equipes (Figueirense, Joinville, Marcílio Dias e Carlos Renaux) permanecerá na elite em 2027.

O fracasso começa na concepção do projeto. Waguinho Dias chegou respaldado pelo título da Copa Santa Catarina, mas o troféu nunca escondeu as fragilidades de desempenho contra adversários tecnicamente limitados. Não por acaso, Marcílio Dias e Joinville, superados naquele torneio, hoje caminham ao lado do Figueirense no abismo.

O treinador sucumbiu no Estadual com decisões equivocadas, discurso gasto e incapacidade de administrar um elenco experiente, envelhecido e sem margem de evolução. Faltou inteligência competitiva para evitar o desastre quando ainda havia tempo de correção.

A responsabilidade, porém, não é exclusiva do técnico. A condução do futebol foi passiva e tardia. A diretoria não antecipou riscos, não ajustou rota e permitiu que o problema crescesse até se tornar incontornável. O clube segue imerso em uma Recuperação Judicial sem horizonte claro, com recursos escassos, salários baixos e comprometimento frequentemente questionado.

O resultado é um time sem identidade e um ambiente de anestesia coletiva: o torcedor, atônito, assiste a uma nau sem rumo.

Zanardi, o salvador chegou ao Figueirense. Foto: Divulgação/GEC

O esvaziamento do Scarpelli é sintoma e consequência. Pouco mais de quatro mil torcedores testemunharam o empate melancólico diante do Camboriú após a derrota para o Concórdia selar o destino do time e a queda de Waguinho.

As desculpas públicas do CEO Rafael Franzoni e do gerente Daniel Kaminski vieram junto do anúncio de Márcio Zanardi, chamado às pressas para cumprir a missão mais ingrata: salvar o Figueirense do rebaixamento e tentar reorganizar a casa para a Série C, que será disputada pelo sexto ano consecutivo. Não era essa a “Série B” que o alvinegro sonhava, a desejada é a do Brasileiro, caminho natural para quem tem história e torcida.

Porque o Figueirense é maior do que seus dirigentes, maior do que crises passageiras. É o clube de Edmundo, Evair, Marquinhos Paraná, Felipe Luís, Roberto Firmino. É patrimônio do povo do Estreito, dono de um estádio que simboliza resistência e paixão centenária.

Cair não seria o fim do mundo, mas seria inaceitável sem consequências e mudanças profundas. O alerta está dado. Ou uma luz surge rapidamente no Scarpelli, com decisões firmes e respeito à camisa, ou o pesadelo de 1986 deixará de ser apenas memória para voltar a ser realidade.

Por Carlos Alberto Ferreira