
A reunião do Conselho Deliberativo do Figueirense, na noite de quinta-feira (5), foi mais um retrato fiel do caos institucional que tomou conta do clube. Sob protestos de torcedores na entrada do Estádio Orlando Scarpelli, os conselheiros saíram sem apreciar as contas de 2025 e tampouco o orçamento de 2026, algo impensável para uma gestão minimamente organizada. O que deveria ser um rito administrativo básico virou símbolo de paralisia, insegurança e descrédito. O Figueirense segue sem rumo, sem planejamento e sem horizonte claro.
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O ponto mais contundente da noite foi a apresentação formal do pedido de destituição dos gestores da SAF, subscrito por diversos conselheiros e entregue ao presidente do Conselho Deliberativo. Embora o tema não estivesse em pauta e, por isso, não tenha sido votado, o gesto tem peso político enorme.
Ele escancara a ruptura entre parte significativa do clube associativo e a atual condução da SAF. O adiamento para uma nova reunião não esvazia o movimento; ao contrário, apenas posterga uma decisão que parece inevitável.
Ruptura necessária
As discussões mais acaloradas giraram em torno da exclusividade concedida a um fundo de investimento com viés britânico, que recebeu 60 dias para avaliar a possível aquisição da SAF. A due diligence em curso é prática comum em processos de compra de empresas, mas o problema não está na investigação em si e sim no contexto.
O Figueirense corre contra o tempo, afunda esportivamente e institucionalmente, enquanto se prende a uma exclusividade que afasta outros potenciais investidores e paralisa alternativas. Hoje, o clube não transmite confiança, nem segurança jurídica, nem projeto esportivo atraente.
Esse cenário faz da atual crise uma das mais dramáticas da história centenária do Figueira. Preso ao quadrangular da morte do Campeonato Catarinense, o clube revive fantasmas que pareciam superados. Não é apenas o risco esportivo que assusta, mas a ausência completa de comando e direção. A SAF, anunciada como solução definitiva, virou sinônimo de frustração: sem competitividade em campo, sem transparência fora dele e sem credibilidade no mercado.
O Figueirense vive um momento decisivo. A próxima reunião do Conselho Deliberativo pode marcar um divisor de águas na história recente do clube. Ou haverá coragem para decisões estruturais duras, porém necessárias, ou o alvinegro seguirá empurrando a crise com a barriga até um colapso maior. Como está, não há perspectiva de solução nem de bons investidores. Reagir agora é questão de sobrevivência institucional e de respeito à história de um clube que já foi grande e ainda luta para voltar a ser.

