Análise: Sem rumo, sem alma e o Figueirense à beira do abismo

Leia a coluna de Carlos Alberto Ferreira sobre a crise e possibilidade de rebaixamento do Figueirense no Estadual
Por: Carlos Alberto Ferreira
em 16/02/2026 às 21:02 - Atualizado agora.
Figueira fez apresentação ruim e perdeu para o Marcílio Dias Foto: Patrick Floriani/FFC

O Figueirense vive um início de temporada que escancara sua crise mais profunda: a da identidade. Não há liderança clara, não há padrão de jogo, não há alma. O clube que já se impôs no cenário estadual hoje se arrasta no chamado “quadrangular da morte”, colecionando derrotas e inseguranças. Não se pode culpar o regulamento do Catarinense, onde todos assinaram. O problema foi a incapacidade de entender a competição, a fase classificatória e o risco que corria. Estratégia equivocada, confiança excessiva e resultados inexistentes. O preço está sendo pago agora.

Clique aqui e receba as notícias do Tudo Aqui SC e da Jovem Pan News no seu WhatsApp

A derrota por 1 a 0 para o Marcílio Dias, gol do zagueiro Reginaldo, escancarou a fragilidade. Antes, já havia tropeçado diante do Carlos Renaux, também por 1 x 0. Em três jogos no descenso, duas derrotas. O cenário é dramático. A ameaça de rebaixamento no Estadual para a Série B de 2027 é real, a menos que o Figueirense consiga vencer o quadrangular, hoje liderado pelo Marcílio, com três pontos de vantagem. O funil será ainda mais estreito: em 2027, apenas um sobe. O prejuízo esportivo e institucional é imenso.

O técnico Márcio Zanardi, profissional experiente e de boas campanhas no São Bernardo (SP), não consegue repetir escalação, não imprime marca, não apresenta evolução. Em descenso, o departamento médico sempre pesa, é verdade. Mas o que salta aos olhos é a falta de brilho, de indignação, de entendimento do que representa vestir essa camisa. Nem mesmo na vitória sobre o Joinville houve atuação que carregasse a assinatura do treinador. O discurso firme da apresentação: “vou falar o que eles não querem ouvir”, parece não ter ecoado no vestiário.

E enquanto o time não encontra luz no fim do túnel, fora de campo o ambiente é igualmente turvo. O presidente da SAF do Figueirense, Paulo Prisco Paraíso, alvo de pedido de destituição por parte de conselheiros, pouco aparece, a não ser nos “canais oficiais”. Para o torcedor, soa como um fantasma. Entrevistas controladas, discursos ensaiados, promessas vazias não convencem mais. O protesto na última reunião do conselho foi direto: chega.

A decisão contra o Marcílio Dias, sexta-feira (20), no Orlando Scarpelli, é mais do que um jogo. É a tentativa de resgatar dignidade, esperança e controle do próprio destino. Se não vencer, o Figueirense passará a depender de terceiros e aprofundará a sensação de tragédia anunciada. O torcedor sabe separar o discurso da realidade. E a realidade, hoje, é dura: o Figueira perdeu o rumo e corre contra o tempo para não perder também sua história.