
A conquista da Recopa Catarinense pelo Avaí sobre o rival Figueirense, com vitória clara por 4 a 2 na Ressacada, foi comemorada como manda o protocolo do futebol: torcida feliz, jogadores celebrando e comissão técnica satisfeita. Tudo absolutamente natural. Mas o futebol é implacável com o tempo. A festa passa rápido e logo surge a pergunta inevitável: e agora? O Avaí está realmente preparado para os desafios que virão pela frente, especialmente na Campeonato Brasileiro Série B, a competição que, de fato, define o tamanho da temporada azurra?
Clique aqui e receba as notícias do Tudo Aqui SC e da Jovem Pan News no seu WhatsApp
Temporada do Avaí
O calendário do Avaí já impõe respostas imediatas. A estreia na Série B será diante do Juventude, e a equipe comandada por Maurício Barbieri ainda invicta na temporada. Na sequência, o clube inicia também a caminhada na inédita Copa Sul-Sudeste, enfrentando o Tombense, em Tombos, e depois recebendo o Cianorte. Segundo a diretoria do clube, o Leão jogará a competição, em primeiro momento, com time misto.
Trata-se de um torneio sem grandes potências nacionais, mas que oferece ao campeão uma vaga direta na terceira fase da Copa do Brasil de 2027, prêmio esportivo e financeiro relevante. No meio dessa sequência intensa, ainda aparece uma viagem difícil a Maceió para encarar o CRB, dirigido pelo ex-técnico azurra Eduardo Barroca, pela Série B.
Essa maratona revela uma verdade que não pode ser ignorada. O Avaí ainda apresenta muitas carências em seu elenco. Há lacunas técnicas em diferentes setores do campo e ajustes importantes a serem feitos. A conquista da Recopa trouxe entusiasmo, mas não resolve os problemas estruturais da equipe. Para disputar uma Série B longa e competitiva, apenas nomes conhecidos não garantem acesso.
O futebol exige equilíbrio coletivo, consistência tática, investimento e, sobretudo, qualidade técnica. Sem essa base, qualquer projeto de retorno à Série A se torna apenas discurso.
Temporada do Figueirense
Do lado alvinegro, o cenário também exige reconstrução. O Figueirense chega a este momento depois de uma temporada turbulenta, marcada pelo rebaixamento no estadual e por uma reformulação praticamente completa do elenco.
A classificação suada diante do Amazonas na Copa do Brasil mostrou competitividade, mas também revelou desgaste físico e limitações evidentes, que ficaram ainda mais claras na derrota para o Avaí na Recopa. O técnico Márcio Zanardi terá muito trabalho para dar identidade e organização a uma equipe ainda em formação.

O primeiro grande teste será nesta semana, contra o CRB, no Estádio Rei Pelé, em duelo eliminatório da Copa do Brasil. Além do prestígio esportivo, o confronto representa receita fundamental para um clube que ainda enfrenta dificuldades fora de campo.
O Figueirense segue aguardando a homologação de sua recuperação judicial e vive um impasse na estrutura administrativa da SAF, cuja gestão ainda carece das formalizações exigidas pela legislação. Em paralelo a essas batalhas institucionais, o time também se prepara para a estreia na Campeonato Brasileiro Série C, diante do Ypiranga, em Erechim.
No fim das contas, o clássico da Recopa deixou duas realidades distintas, mas igualmente desafiadoras. Para o Avaí, a vitória foi apenas um momento de euforia que rapidamente dá lugar à cobrança por desempenho consistente.
Para o Figueirense, o resultado reforçou o tamanho da reconstrução necessária. Em ambos os lados da ilha, a verdade é a mesma: o que virá agora exigirá muito mais do que comemorações ocasionais. O futebol cobra trabalho, organização e qualidade, dentro e fora de campo.


