
O Avaí, atual campeão catarinense, está eliminado nas quartas de final e a queda dói mais pelo contexto do que pelo resultado em si. Diante de mais de oito mil torcedores na Ressacada, na noite de domingo, o time azurra naufragou em suas carências técnicas, na mudança de filosofia e, sobretudo, na falta de ambição. Foi uma atuação pobre, sem imposição e sem leitura do tamanho do jogo. Um domingo triste para o torcedor, que esperava reação e viu apatia.
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O Avaí da Série B se igualou, em campo, a equipes de Série C e Série D. O desempenho foi sofrível, com um elenco limitado e um aproveitamento de jovens feito sem o devido critério. A derrota por 1 a 0 para o Camboriú, seguida da eliminação nos pênaltis, escancarou a distância entre o peso da camisa e a realidade do futebol apresentado. O sonho do bicampeonato estadual acabou de forma frustrante e precoce.
Parte dessa queda está diretamente ligada ao caminho escolhido pela nova gestão. Sem recursos, após uma administração anterior desastrosa que deixou uma dívida quase impagável, a opção foi economizar e apostar em jovens da base e atletas em formação. A ideia é compreensível, mas o risco era conhecido. Faltou qualidade, faltou equilíbrio e sobrou responsabilidade jogada sobre um elenco que não estava pronto para decidir.
O técnico Cauan de Almeida não pode ser tratado como único culpado. Trabalhou com limitações claras, mas também errou no jogo decisivo. Com a vantagem de 2 a 1 construída fora de casa, o Avaí sentou no resultado, especulou o empate e subestimou um adversário que marcou gols em todos os jogos do Estadual. O Camboriú não perdoou. Kaká aproveitou a sobra e a falha defensiva, e depois Vavá, goleiro experiente, decidiu nas penalidades, enquanto Jean Lucas parou na defesa e Avenatti acertou a trave.
Agora, resta ao Avaí a Taça ACESC 70 anos. É competição de consolação, mas de enorme valor esportivo e financeiro, já que oferece vaga na Copa do Brasil de 2027. O confronto com o Santa Catarina será mais uma prova de maturidade para um clube que precisa, urgentemente, alinhar discurso e prática. O Estadual deixou uma lição dura: camisa pesa, história ajuda, mas sem respeito ao jogo e sem qualidade, não há título que se sustente.


