
A popularização dos aplicativos de apostas esportivas e jogos azar, as conhecidas bets, transformou o celular em um “cassino de bolso” para milhões de brasileiros. A situação acendeu um alerta para a saúde pública devido ao avanço do número de pessoas viciadas nesse tipo de atividade.
Clique aqui e receba as notícias do Tudo Aqui SC e da Jovem Pan News no seu WhatsApp
Um estudo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) revelou que quase 11 milhões de brasileiros têm sintomas de dependência em jogos e apostas. Esse vício, inclusive, já é classificado como doença pela Organização Mundial de Saúde, chamado de ludopatia.
A psicóloga do Idomed (Instituto de Educação Médica), Ana Beatriz de Oliveira, explica que é preciso compreender que a ludopatia se trata de uma patologia que exige cuidado. Entre os sinais de alerta estão: aumento progressivo das apostas; irritabilidade e ansiedade quando não joga; pensamentos obsessivos sobre estratégias para próximas rodadas; insistência em jogar mesmo com prejuízos financeiros; tentativas de recuperar perdas a qualquer custo; e mentiras para familiares ou amigos para sustentar o vício.
“Todos esses são indicativos claros de que há algo errado e de que é hora de procurar ajuda profissional”, reforça. A especialista destaca que o vício em bets compartilha características semelhantes com os transtornos por uso de substâncias químicas.
“Ela envolve perda de controle, necessidade de repetição, sintomas de abstinência como irritabilidade e baixa tolerância. Além da vergonha, muitos ainda têm dificuldade em compreender que é uma doença, e isso atrapalha a busca por ajuda”.
O tratamento passa por acompanhamento psicológico estruturado, em especial com terapias como a cognitivo-comportamental, além de grupos de apoio específicos para jogadores.
“Encontros coletivos criam uma rede de troca e suporte muito rica. Aliado a mudanças de rotina e hábitos, o paciente encontra recursos para reduzir gatilhos e prevenir recaídas”, afirma a psicóloga, que destaca que “informação, acolhimento e acesso a serviços especializados são fundamentais para que essas pessoas possam retomar sua vida, antes que o vício destrua vínculos familiares e acumule ainda mais prejuízos financeiros, emocionais e sociais”.

